quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Foram-se os dedos, ficaram os anéis

O Carlos Monteiro é a razão pela qual muita gente compra o jornal i. Ele não é jornalista nem fotógrafo muito menos colunista ou director. Na verdade, ele faz algumas destas coisas mas sob outro nome: infografia. É por causa do Carlos Monteiro, aliás, que muitos dos leitores do i passaram a saber o que é  infografia. Se não pertence a esse grupo, o Carlos faz-lhe uns desenhos. Só não espreite antes de ler este texto até ao fim - vai querer ficar por lá. O Carlos Monteiro, dizíamos nós, é incrível. E por isso convidámo-lo a fazer toda a parte de infografia do Lx60. Ele aceitou.

Lançámos-lhe quatro desafios: o boom automóvel dos anos 60, o inquérito aos estudantes universitários de Lisboa, o golpe-assinatura do campeão Tarzan Taborda e o controverso edifício "Franjinhas". Nem é preciso dizer que foram todos superados. E com um estilo inconfundível: clareza, elegância e um toque de humor. Se o prédio para recortar e montar em 3D é a peça mais exuberante, em todas as outras páginas temos algum pormenor que faz a diferença. No parque automóvel, talvez a nossa favorita, são as cores.



Esquecemo-nos de referir que o Carlos Monteiro é também um pensador. Aqui em baixo, o que ele pensa sobre os anos 60, depois dos trabalhos que lhe pedimos. No fim, um link para a gruta de Ali Babá.

"Nasci nos anos 70, por isso a Lisboa dos anos 60 era-me tão familiar e longínqua como a do tempo da conquista aos mouros. É claro que calculava que houvesse alguma diferença. O parque automóvel da década de 60, por exemplo, era muito maior que no tempo de Afonso Henriques, e se compararmos com o de hoje podemos dizer que os carros daquele tempo tinham muito mais personalidade, acho ainda que também eram mais temperamentais. Tal como no tempo de Afonso Henriques os universitários dos anos 60 achavam que a civilização moderna estava em crise e que, em certa medida, o sexo pré-matrimonial poderia ser útil, mas já concordavam com o direito da mulher a seguir uma carreira profissional desde que, claro está, isso não influenciasse a vida familiar. As menores diferenças entre as duas eras resumem-se à arquitectura: em 1147 as pessoas viviam dentro de casas, na década de 60 também, apenas davam nomes mariquinhas aos prédios, como "franjinhas" e mais não sei quê. Finalmente, rendi-me a Tarzan Taborda, não pelos feitos incríveis dentro do ringue da luta livre, mas pela força de vontade necessária para passar uma década inteira a encolher a barriga de forma a não parecer o grande badocha que realmente era."


Gruta de Ali Babá


PS: Para quem não clicou lá em cima, a contribuição do Carlos Monteiro para o livro da SND-E:

"Infographics. A visual definition"

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